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30.5.06

CORPO E ALMA EM VERSO E PROSA
 
Estou participando do projeto de um livro de poesias sendo um dos quase 70 co-autores. A Loba é a culpada por tudo e todo o crédito pelo projeto é dela - confesso que eu nunca teria a coragem de enfrentar uma tal missão a que ela se propôs.

Transcrevo do blog dela as últimas notícias sobre o projeto:

"Corpo e alma em verso e prosa é um projeto que já deu certo. E será a porta de entrada para muitos outros projetos que já estão sendo idealizados.
E não me chamem de doida. Prefiro ser chamada de sonhadora! E parabéns a todos que acreditam e investem em sonhos!

E porque estou falando do nosso livro, ei-lo!



Com capa criada pelo querido Dácio Jaegger e participação de quase 70 blogueiros e amigos da loba. E agora vou também falar da sua venda. A partir de hoje, alguns dos autores estarão vendendo o livro em seus blogs – eu inclusive.
Estamos com 50 exemplares que precisarão ser vendidos para cobrir os custos, por isso estamos fazendo vendas antecipadas por um valor bem menor. Para quem quiser comprar agora o valor será de 12,00, fora as despesas de postagem – a postagem de 1 livro ficará em torno de 4,00. Para isso, basta entrar em contato conosco por e-mail fazendo o pedido e retornaremos dando as instruções para a compra. Meu e-mail: lobamulher@uol.com.br"

verbo rasgado por tarciso


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26.5.06

noite insone
 
um silêncio espreita sorrateiro
para engolir as almas recolhidas
das duas uma rendida adormece
e seu sono desperta no insone
além da inveja que não dorme
cobiça por seu corpo lânguido
e o desejo recalcado explode
mas tenso foge e não invade
temendo romper a linha delicada
e acordar tanta libido adormecida
então a cama é palco para os sonhos
e um cadafalso para os pesadelos
nas noites que sucedem certos dias
quando ao fervilhar das fantasias
se consuma o encontro inesperado
mas aquela sua vigília só começa
será de frustrações, será de alegrias;
o que será atrás daquela porta?!
ninguém além dali se importa
pois no seu mundo todos dormem...

verbo rasgado por tarciso


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18.5.06

a lucidez das velas
 
O que eu mais admiro na lucidez é o universo de loucura que podemos alcançar através dela e sei que estou ficando - irremediavelmente - cada dia mais antigo. Na hora de apagar as velinhas podemos ter estranhos pensamentos, imagina então quando o seu número chega a 52. Na verdade nem faz tanta diferença, depois de um certo número - o próprio número só vale pela dezena. A centena dificilmente alguém alcança e se por acaso a alcançar tornar-se-á um ancião não mais do que qualquer criança. Até o pesadelo do próprio desaparecimento vai se tornando uma realidade em perspectiva e com o passar do tempo vai ficando mais plausível e menos assustador. Quem segurará, no fim, as alças do caixão? O que resta à carcaça inerte e fria se já não há mais riso e se não há mais dor?! E o que dizer da liberdade absoluta que então sobrevirá?! E quanto ao tempo presente, haverá um limite para a multiplicação das perguntas? Ou são sempre as mesmas, travestidas apenas as palavras?! Não tenho tantas respostas e a cada dia percebo a minha defasagem ao aumento inexorável das perguntas... Quanto mais penso saber alguma coisa, tanto mais constato que nada sei. O paradoxal é que isso mais me acalma que espanta, mas me deixa sereno que agitado, mais me faz descobrir-me que ocultar-me. Enquanto sentir o calor das chamas, enquanto souber contar as velas acesas e sopradas, enquanto houver vida e lucidez - continuarei içando e soprando as velas!!!

verbo rasgado por tarciso


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16.5.06

Dias de chumbo
 
ao estopim aceso
corre a chama do rastilho
descontrolado estouro da boiada
botinas pisam os caídos
em alvoroço ondulam os tecidos
desesperados
em corridas circulares
sem sentido
as palavras não penetram os ouvidos
e todos os sábios estão calados
no fim de tarde cinzento
se ouvem apenas sirenes
secos pipocos e apitos
soam também gritos ensandecidos
e enfim corpos exaustos desabam
depois se escuta só o silêncio
é o princípio
é o meio
é o fim...

verbo rasgado por tarciso


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14.5.06

saudades da mãe
 
mãe, me perdoe
pelos outros 364 dias
repetidos a cada ano
tão plenos de imperfeição
na distância e indiferença
no descaso e abandono
que eu zere esse relógio cruel
a ressoar cinzento na memória
já faz muito que você se foi
e desde então sou o que não fui
pois agora te trato bem
como nunca te tratei
ainda que apenas na lembrança
e no denso vazio da saudade
com os passos mais maduros
insisto em tuas pegadas
aos rastros da tua ausência

verbo rasgado por tarciso


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12.5.06

Olhar confiante
 
nenhum esforço pode impedir
o movimento do mar,
mas quando se decantam as águas
ele vai serenando naturalmente
ao mar, ao barco e ao navegante
acompanha um intenso e amoroso olhar
d'Aquele que tem o controle
de todas as nuances e situações
e a quem nada é impossível!

verbo rasgado por tarciso


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10.5.06

leve silêncio
 
falar dos sentidos
sendo grato ao agasalho envolvente
falar dos sentimentos
agradecendo a amplitude do calor
a poesia é linguagem
expressão de projetos e sonhares
cinzel que talha um peito em granito
ou panos quentes que aquecem a alma
podia falar na música do silêncio
ou nalgumas graciosas melodias
poderia bailar tecendo pensamentos
vendo o sol brilhante lá fora
entretanto me aquieto aqui dentro
porque podia falar de tantas coisas
do tudo e do nada que conheço
mas me espreguiço leniente e calo
sabendo que quem cala consente
e sente não saber o que calar...

verbo rasgado por tarciso