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31.1.06

asas do tempo
 
me vêm muitos pensamentos
que assimilo e rumino
cada um com seu destino
quase sempre o vazio

sobre o dorso a letargia
que suave contagia
meus esboços de coragem
muitas vezes esmoreço

tenho um tipo de saudade
admito precavido
mas sou refém do presente
todo o passado é perdido

então porque a saudade
se a vida de verdade
só uma vez é vivida
e não volta novamente?!

enquanto isso
o tempo passa
e a sua neblina embaça
e camufla a dor da gente

eu só ambiciono a paz
e se não for querer demais
manter a que alcancei
que o tempo não vai parar

verbo rasgado por tarciso


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19.1.06

Geraldo Machado de Lima
 

mais uma vez
a família, do lado de cá
encolheu um tanto
e ele era uma referência
presença certa nos encontros
de sorrisos ou de lágrimas
...o tio Aldo...
já do outro lado
o time tá ficando campeão
e o tempo vai ensinando
temer menos a passagem
porque pontilha a paisagem
uma porção de gente especial
vó Chiquinha, vó Luzia, vô Machado,
meu pai, mãe,padrinho João, madrinha Sebastiana,
tia Leonina, Joana Cecília, Maria das Dores,
tio Zé, tio Dito, Diogo, André Geraldo,
Sérgio Ricardo, tia Amélia e agora o tio Aldo...
impossível enumerar os que já foram
todos eles entes especiais
só recordamos o bem das pessoas
quando partem para a eternidade...
se apagam todas as mazelas
e se salientam coisas belas
na certeza de um até breve por lá
pela tristeza de um aqui jamais...

tio Aldo
* 24/04/43
+ 14/01/06

verbo rasgado por tarciso


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18.1.06

reflexões em espirais
 
Sou feito de muitas camadas sobrepostas que o tempo vai acrescentando dia-a-dia, ano-a-ano. Elas parecem iguais mas vão deixando o meu eu cada vez mais escondido. Aí preciso advinhar quem sou e nestas tentativas vão surgindo pensamentos elaborados em palavras. Elas vêm aos jorros e borbotões ou são caladas nos silêncios e interrogações. O que é simples não é fácil decifrar. Em nossa investigação incessante acabamos descobrindo que esta vida é apenas uma ilha. Reféns do tempo num lugar cercado pelo infinito e a eternidade. Somos seres alados camuflando as asas até rompermos o casulo da existência. E a partir daquele ato de esvaziamento transbordante, iremos flutuar serenos rumo à uma luz tépida, dourada e sem fim. Quero apenas relaxar e seguir sem pressa rumo a este gozo que me aguarda.
Me dispo de certezas e incertezas antecipando assim este deleite desde o agora e para sempre!...
Há - eu sei - quem prefira aquele sofrimento taciturno de mergulhar numa espiral de dúvidas, porque outra alternativa da condição humana é uma espécie de masoquismo cultivado em mentes céticas e pantanosas - incapazes de acreditar na melodia do infinito ou na gratuidade do amor. Mas dessa eu já estou fora porque depois de muita luta - desse labirinto asfixiante, - eu felizmente consegui me liberar!...

verbo rasgado por tarciso


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12.1.06

liberdade liberdade
 
na vida quase insana
queria apenas ser
poeta e cavaleiro errante
brandindo as palavras
com arte e maestria
guardar no alforje
uma porção de cada dia
sobrando ainda um naco
para os viandantes desprovidos
incólume na vida
segue o poeta
à bordo da sua poesia
buscando algo que o prenda
e preso não sossega
se debatendo tolamente
na ânsia de escapar...
quando ele se liberta
reinicia a mesma busca
de algo que o apreenda
na malha das palavras
na senda dos delírios
que a prenda é ser a presa
sonhando a liberdade!...

verbo rasgado por tarciso


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10.1.06

espelho
 

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6.1.06

à deriva
 
o que me espanta
é a insistência de cada onda anônima
embora nunca a mesma
são elas quase sempre iguais
só variam de intensidade
umas mais preguiçosas
outras mais alvoroçadas
mas todas lambem corpos
deixando espumas ao redor
mares, oceanos
fragor das águas salobras
rumor de forças vitais
adormeço em suas praias
me aqueço à luz solar
que agita e aquece as ondas
aspiro apenas navegar
depois, vencida a arrebentação
entregue à mercê das águas
o sonho é conquistar o alto mar

verbo rasgado por tarciso