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            H@ VIDA DEPOIS DOS 40

...com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

divina humanidade

As sandálias arrastadas produziam um som amortecido e os pés repousavam confortáveis no seu interior macio. Tudo o mais era uma incógnita ferida naqueles olhos que precipitavam lágrimas no vazio. Não era possível definir exatamente a sua idade embora se advinhasse um aspecto juvenil escondido atrás do sofrimento entrecortado por soluços reprimidos. Não resistiu ao aconchego ofertado pelo estranho e deixou-se envolver naquele silencioso e protetor abraço. Calaram-se as palavras e se algum som se ouvia não passavam dos grunhidos de quem chora aumentando progressivamente de intensidade enquanto crescia o silêncio paternal de quem reverentemente o consolava. Passaram-se os minutos, passaram-se as horas, passou a dor como mais cedo ou mais tarde passam todas as dores juvenis. Um semblante serenado apareceu naquele ser abandonado e, ele, abrigado num abraço terno, reencontrou a sua chance de seguir adiante procurando o próprio destino. Aquele foi o abraço definitivo em sua vida - jamais o esqueceu, também jamais reviu aquele mesmo aconchego e, agora, já bastante amadurecido, ainda traz na lembrança reminiscências esmaecidas daquele abraço de Deus manifestado nos braços humanos de um ser desconhecido...