Make your own free website on Tripod.com

            H@ VIDA DEPOIS DOS 40

...com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas...

domingo, 11 de dezembro de 2005

viagens digitais

Combinei com todos os meus dedos - pois sou um polidigital, - vou liberá-los e deixar que conduzam meus pensamentos neste teclado liberal, ma non troppo. Dei uma pausa para respirar e os meus dedos foram tomando conta das frases e formando-as gentilmente. Muitas palavras se sucediam e talvez o sentido lhes faltasse. Mas o que importa? Que cada leitor encontre o seu próprio sentido escondido nas palavras. Isso ao menos foi o que disseram meus dedos recém libertados. Não havia pressa mas também não havia a necessidade de ruminar em pensamentos demorados. Simplesmente deixar que surgissem sentenças com ou sem qualquer significado. O que isso poderia significar? Olho demoradamente para os meus dedos mas em cada unha apenas vejo um sinal de interrogação ao lado da exclamação. Profiro um emblemático ahhhh... e continuo deixando livres meus digitais quase insensatos. Paro por um momento porque meu couro cabeludo começa a coçar e os dedos se ocupam em fazer essa tarefa despojada – a diferença é que agora percebo o quão importante é ter dedos, principalmente quando se tem coceiras. Olho ao longe pela janela entreaberta e percebo que o tempo hoje está tão nublado... que diferença faz para quem está dentro de casa, no conforto do próprio lar? Meus dedos tem nuances próprias e não parecem dispostos a me deixar filosofar. Então percebo uma guinada em seus movimentos e uma busca diferente de grafar sentenças que voam para outras direções nunca antes imaginadas. De repente era como se eu sobrevoasse uma praia deserta do nordeste, povoada apenas de muitas palmeiras frondosas e de folhagens balouçantes ao impulso de uma brisa ligeira. O mar não muito agitado espumava nas areias e haviam passos recentes estampados no solo arenoso e molhado. Um novo corte. Meus dedos me pareciam pouco confortáveis com o rumo da conversa. Não, não era nada disso. Eles queriam navegar mar adentro e dispensar a visão bucólica da praia desabitada. Embarcamos num pequeno barco à deriva e avançamos para águas mais profundas, mais e mais. Baleias e golfinhos brincavam ao redor e aumentava gradativamente o fragor das ondas na medida que avançávamos para o alto mar. Navegar pode ser um exercício cansativo e por isso começamos a desejar a aproximação de terra firme. Talvez viesse a calhar uma pacífica ilha no atlântico, ou uma atlântica ilha no pacífico. Um solavanco no barco revelou um banco de areia e ali ficamos encalhados por algum tempo. A maré vazante nos deixou em terra firme e desembarcamos. Eu e meus dedos na viagem desta fantasia. Alguém falou em voz alta ao meu lado. Puxa, será que dá pra você liberar esse computador?! Pai, você parece criança! Preciso terminar o meu trabalho da escola, poxa!...