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            H@ VIDA DEPOIS DOS 40

...com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas...

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

impasse decisivo

Daquela vez não ia esperar qualquer opinião alheia. Pelo menos uma vez na vida deveria ser capaz de decidir alguma coisa sem ajuda. Era uma escolha simples, ou não?! Bem, não adiantava divagar mais. O relógio ia despertar e então já não haveria mais tempo... O gato ronronou ao lado da cama e abriu desmesuradamente a boca na sua preguiça felina! Sua cauda roçava o braço caído e ameaçava antecipar o serviço do despertador. Uma urgência inadiável reclamava pronta decisão. Mas o impasse persistia. Sabe quando tudo gira obsessivamente em torno de uma única idéia e ao mesmo tempo um torpor gigantesco toma conta?! Era o que acontecia. Quanto maior o esforço para a tomada de posição, maior também era a prostração e o desconforto. Uma pessoa tensa e trêmula, deitada ao lado de outra que em sua cálida nudez, dormia um sono profundo e isento de censuras. Não deixava de ser uma cena intrigante. Bela, diáfana e desconcertante. O gato abandonou o quarto para estatelar-se novamente sonolento numa das poltronas da sala. Mas o relógio ameaçava despertar e estragar tudo. Não, dessa vez não... ninguém ia estragar aquele momento e o prazer que ali usufruia. Decidiu atabalhoadamente. Levantou-se de forma sorrateira e com um riso maroto e quase infantil estampado, - travou o despertador, tirou toda a roupa e mergulhou sob as cobertas. Trabalho, escola, banco, academia? Esquece... se ajeita isso depois.