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            H@ VIDA DEPOIS DOS 40

...com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas...

sábado, 9 de julho de 2005

desnudando devagar

Há certos dias que nos damos conta das embalagens que nos aconchegam. Sejam as paredes da casa, as cobertas bagunçadas ou a roupa que nos recobre a pele. Dias de entorpecimento e lentidão dos pensamentos. Hoje é um destes dias para mim. Lá fora está bastante frio e eu me refugio no calor doméstico. Tento estabelecer contatos mas tudo não passa de monólogos casuais. As pessoas não estão ouvindo umas às outras. Falamos todos ao mesmo tempo e somente ouvimos a nós mesmos. Sinto que está tudo bem e ao mesmo tempo parece que nada vai bem... Algumas pessoas que importam passam por provações, privações e a impotência exerce sobre nós o seu poder. Não há muito o que fazer. Tentamos. Desistimos e ainda corremos o risco de afastá-las em nossas tentativas atabalhoadas de ajudar... Deixamo-las ainda mais sofridas e solitárias. Solidários e calados nós ficamos. Não há, definitivamente, muito por fazer... Não quero correr o risco de sentir-me culpado por estar entorpecidamente bem, ainda que um pouco aborrecido. Não quero aborrecer-me mais e nem entendiar-me hoje! O sábado precede o domingo, o melhor dia da semana. Na verdade é a melhor noite. Sábado para domingo. Corro o risco de ser julgado tolo e o juízo pode ser verdadeiro algumas vezes - e há quem diga, sempre. É que acredito piamente no ser humano embora tenha tantas dúvidas sobre mim. A tolice anestesia certas dores. Por que levar tudo tão a sério? As vezes levo... Mas na maior parte do tempo eu rio de tudo, inclusive de mim... Não tenho certezas absolutas, tenho de absoluto só as muitas dúvidas que carrego. Cultivo-as desde a semente, vejo-as crescer, sorvo e me embrigado com o néctar de seus frutos... não é demência total e nem completa lucidez. Me encanta o descompromisso de flutuar assim no ar rarefeito e improvável do meu quotidiano. Pergunto em voz alta: quem sou eu? O eco não responde, apenas devolve-me a pergunta parecendo não se importar com as respostas... Quero ser, quero estar, quero viver! Quero o sorriso estampado em cada face. Pronto. Esse sou eu! Incrível é que eu gosto disso - de ser assim! Dirão que sou um tolo otimista - tenho que acrescentar: incorrigível, graças a Deus. Nem sei porque comecei meio pra baixo este post. Tudo vai ficar bem! Eu creio, - ou não seria quem eu sou - pode crer!