H@ VIDA DEPOIS DOS 40

...com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas...

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

fomes

o pão é a resposta da fome
mas depois de saciados
restam perguntas tantas
sobre a vida,
sobre a morte
e sobre o que nos consome
sou faminto nesse chão
sinto falta desse pão
pra matar a minha fome...

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

formigueiro

      Não é por falsa humildade que afirmo saber muito pouco entre todos os saberes, – é mera constatação. E mais, do pouco que sei, a maioria das coisas assustam ou esmagam por revelar o meu real tamanho diminuto. Formigo interiormente, formigam as minhas mãos, o sangue foge formigante nas veias. Me sinto uma formiga em lerdo movimento e vou arrastando um nada que pra mim é folha enorme tombando ora para lá ora para cá - refém do ondulante movimento ou sob o sopro de qualquer vento. Como ela, me lambuzo em doces e traço folhas verdes – mas também me diferencio pelo instinto carnívoro e soçobro à inclinação autodestrutiva me desmontando pensativo em muitas peças mentais que nem sempre se reencaixam. Isso, por vezes, faz de mim triste figura. Então suo, tremo e formigo. Mas, incansável igual a ela, vou insistindo quixotescamente e retomo a caminhada, vergado à folha da vez...

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

bom dia

      Quem me vê e enxerga uma imagem de pessoa equilibrada, não vê, contudo, o lastro da história que me trouxe até esse ponto da minha trajetória. Não, não estou pretendo vitimizar-me - apenas tento utilizar um processo indutivo para chegar a uma generalidade: um retrato atual revela apenas a superfície de alguma situação ou pessoa, não é o ser de alguém que ali se encontra revelado. A busca do equilíbrio pressupõe superações, risos e lágrimas, altos e baixos. A dor eventual é um lastro a garantir um tal equilíbrio. Quem não sofreu ou não sofre alguma dor ocasional? Há quem sofra diturnamente e há até quem cultive um tanto a própria dor. Longe de mim tal escolha, o que eu procuro é o linimento apropriado para cada circunstância causadora de sofrimentos. Procuro eu mesmo ser bálsamo para as pessoas que me rodeiam. Nem sempre o consigo, é certo. Mas continuo insistindo nas tentativas. Também já não me mantenho refém da culpa pelos erros cometidos, como não sucumbo ao canto da sereia dos elogios aos eventuais acertos. Alguma sapiência adquirida com o passar do tempo me ensina que o melhor para se viver bem é viver bem um dia de cada vez. A bíblia - a melhor referência humanística que conheço - o ensina: a cada dia basta o seu cuidado. Me esforço, pois, para ter um bom dia de vida a cada vez! Que bom se o foco de ao menos um olhar iluminar-se com mais estas linhas ainda tecidas no escorregadio limiar da pieguice intimista.

Sábado, 26 de Abril de 2008

camadas de escamas

      Neste processo existencial que é longo e trabalhoso, quisera tirar ao menos umas tres novas camadas que me envolvem. Seria tão bom não precisar ensaios e papéis. Melhor seria andar nu e sem vergonhas - tudo bem que isso seja apenas utopia pelo andar da carruagem da humanidade que ainda segue entre sorrisos, acenos educados e assentimentos. Mas ao menos para mim, na ilha desabitada dos meus pensamentos, sei muito bem quem sou - e confesso que já gosto do que vejo no espelho, - não pela estética desgastada dos anos, mas pela redução daquelas camadas mais frívolas erodidas pelo tempo. A concretude do real confere maior densidade ao ser liberto do excesso de hipocrisia asmaticamente sufocante. Apesar de algum cansaço da estrada, um sopro leve de liberdade me permite uma respiração mais regular...

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

depois da curva

depois da curva inclinada
que até pode ser a última
se não se conhece o caminho
ou talvez a retomada
no vôo de fazer ninhos
há que voltar pra casa
sempre ao fim dos dias
nenhum lugar é melhor
nenhuma cama tão boa
mergulhar sob as cobertas
nas noites frias de outono
onde os corpos trocam donos
e sonham somente sonham
sonhares alvissareiros...

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

tique-taques


      Alguma coisa no tempo me absorve em extenuante trabalho inútil da mente. O tempo passa. Na parede, quase desapercebido – meu relógio muito antigo marca sem saber essa passagem. É máquina, mas é personagem de uma história. Me lembro dos meus primeiros contatos com ele. Seus tique-taques monocórdios só pareciam interrompidos pelo badalar das horas cheias e de suas metades. Criança ingênua – a ingenuidade era minha companheira inseparável – eu via a alma do relógio e desde então eu já sabia que teríamos um caso de posse mútua. Tenho eu esse relógio ou será que ele me tem?! Não sei. Na verdade ele sempre marcou as minhas horas. Mesmo quando eu já não estava por perto e fui embora pra cidade. Primeiro a pequena e depois a grande. Meu relógio – que ainda não era – a esperar num compasso repetitivo e paciente. Tique-taque, tique-taque, tique-taque... Blemblom, blemblom, blemblom... Eram três horas da tarde. O sol a pino e um calor que Deus mandava. Os animais no pasto adivinhavam chuva relinchando, correndo, balindo, pastando. Eu chorava num canto sob o meu relógio... Imaginava febril as horas longínquas que nunca chegavam e que ainda não me deixavam partir. Parece que aquelas lágrimas tiveram o condão de acelerar o tempo que não passava e a partir de então, cada dia mais depressa ele foi passando e desgastando os infindáveis tique-taques do velho relógio pendurado. Anos depois, idas e vindas, depois de tantas mudanças o cansaço das viagens. Tanto quanto a mim ele me pareceu tão cansado da última vez que pude ouvi-lo noite adentro em seu balanço nostálgico e hipnótico... Se movia tão exausto e lento que ao clarear do dia seus ponteiros carcomidos amanheceram parados. Quando o moderno celular me despertou olhei-o lânguida e longamente, mirando as figuras gastas de seu vidro amarelado pelo tempo. Um tristonho desalento me envolveu e não tive coragem de girar sua anacrônica manivela que o obrigaria retomar seus movimentos a demarcar meu tempo. Quedei-me absorto e deixei que permanecessem imóveis seus ponteiros e badalo, e que se calassem os seus tique-taques...

Sábado, 12 de Abril de 2008

sorrisos

um sorriso não pensado
faz o peso aliviado
dá à vida mais prazer
pensamento anuviado
traz tormentas torrenciais
e quem quer pensar demais
perde o riso encantador...

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

segredos

       Expandindo o pensamento anterior, quero explicitar melhor outras nuances daquilo que entendo por verdade. Ela é certamente a mais cobiçada virtude que almejo e cultivo. Entretanto engloba também meus segredos, sem os quais a privacidade - outra exigência vital - seria impensável e impossível. Não deixo de ser verdadeiro quando omito uma ou mais facetas da minha personalidade - especialmente quando não gosto delas ou quando a hipocrisia social as tem por condenáveis. Tenho impulsos, tendências, prepotências e mazelas em relação às quais não teria sentido sair por aí fazendo propaganda. Além daquelas coisas que definitivamente não convêm expor e revelar, existem defeitos para os outros que para mim são virtudes, mas que as regras da boa convivência recomendam que não se as propague, porque, admito - e é verdade, - aspiro também a aprovação social. Um exemplo é quando se tem consciência de possuir determinada qualidade sobre a qual em momento algum se deve pronunciar a respeito porque há uma convenção de que elogio em causa própria é vitupério. Não ficou claro?! Então deixa pra lá... mas é mais ou menos isso. Ser verdadeiro, pois, para mim, não significa viver virado ao avesso arrotando verdades inconvenientes. Ser verdadeiro é uma coisa interna que interessa ao indivíduo como pessoa e que, evidentemente, se torna manifesto em suas atitudes exteriores. Por isso, embora tendo um perfil mais transparente que misterioso, sei respeitar e conviver muito bem com os segredos - os meus e os alheios.

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

esforço verdadeiro

      Todo bom é íntegro e nem importa que se apresente em estilhaços, pedaços ou metades. A verdade é uma convicção certeira mesmo que ao fim se revele um engano e perca o conceito de verdade que lhe fora atribuído, mas a mentira não leva nenhum jeito para se tornar verdade. Há quem confunda engodo com verdade. Sabe, aquela mentira repetida à exaustão? Goebels, que foi ministro da propaganda de Hitler engendrou e utilizou uma tal estratégia. De concreto mesmo é que o falso até pode parecer verdadeiro, mas verdade jamais será. Então, se não é possível ser dono da verdade, ao menos é possível o esforço para ser verdadeiro. E esse esforço eu sempre faço porque a mim, creiam-me ou não, só apetece a verdade!

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

horizonte

Quando jovem perseguia crédulo o infinito e jurava em breve alcançá-lo. Maduro vivo ainda em seu encalço apesar de sabê-lo inalcançável e fugidio. O que não quero é ficar olhando para trás - também não quero mirar fixa e obsessivamente meu próprio umbigo. Melhor é caminhar sem pressas, toureando as intempéries, superando as inclemências e rudezas própria e alheias. Aspiro belezas pequenas como os perfumes passageiros e todas as coisas que aguçam o melhor dos meus sentidos. Minha contemplação sempre avança circular e concêntrica procurando envolver meus amigos, os entes queridos e todas as pessoas iluminadas que se achegam para construir pontes de afeto e amizade. Com elas ao meu lado quero caminhar sereno e com liberdade rumo ao horizonte que luz...

Sexta-feira, 28 de Março de 2008

carrosséis

amalgamar as cinzas
neste espremedor de idéias
verdadeiro caudal de pensamentos
a conspirar no vazio
sem nenhuma inspiração
retorno ao lugar confuso
- nó de sortilégios -
e de nada adianta
é hora do crepúsculo
adormecem os músculos
despertam os delírios
na saliva dos desejos
merejam instantes de poesia
mas é rebate falso
balde d'água fria
não passam de fantasmas
no meu lusco-fusco vespertino...

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

sem leme

perscrutar as razões
vã filosofia...
mas o sentido mesmo
só na poesia
a dos sentidos
desde o olhar noturno
em toques lânguidos e à revelia
cálido cheiro de romã
a dissipar sabores
ressoando nostalgia
um sexto sentido
esculpe na alma
grávida melancolia
que faz parir a escuridão
na madrugada e à luz do dia

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Feliz Páscoa e bom feriado

Respeito todas as opções religiosas e as opções não religiosas também, claro. Entendo que o mais importante é que não hajam intolerâncias ou fanatismos de quaisquer matizes. Respeitar a identidade alheia não significa anular a própria. Eu tenho uma religião - sou católico apostólico romano - participo das missas dominicais e nestes dias, em particular, participo das celebrações pascais que são as mais importantes liturgias católicas que se celebra. Todos os dias faço as minhas orações e busco uma sintonia com o sagrado que, para mim, traz o sentido último do existir. Gosto muito de uma cervejinha nos finais de semana para acompanhar um churrasco ou aquele almoço gostoso de domingo. Mas na quaresma, período que vai da quarta-feira de cinzas até o domingo dé páscoa, eu fico sem me deleitar com esse meu pequeno prazer. Parece pouco. E é. Pelo menos dois efeitos salutares isso me traz: ajuda a moderar o hábito da bebida e a superar o impulso imediatista do prazer. Quando chega a Páscoa celebro a vida e brindo com meus entes queridos com direito a um prato saboroso, uma cervejinha gelada e um pouco de chocolate que ninguém é de ferro. Então a todos os cristãos que me lêem desejo uma Feliz Páscoa, aos demais desejo um bom feriado!

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

verbo surdo

no verso da palavra há um estopim incendiário
que pede água imaginária e afoga seu rastilho
então se recomeça um outro ciclo perdulário
revisitando palavras estopins e águas em delírio
será que não transcende esse imanente sanguinário
esse desejo incinerante submerso e carmesim?!
me engarrafo tamponado no silêncio
meus olhos ficam tão grudentos ...
de onde estou vindo, pra onde estou indo?!
antepassados produziram morticínio
que vaticinam rancoroso odor de morte
o medo camuflado nas manchetes dos pasquins...
enfrentamento e fuga
eros e tanatos
fato inconteste nesta raiva machucada
imotivada e agreste
deambulando em pleno cativeiro
rubra escarlate em seu cheiro
nessa instância amordaçada até o fim...

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

hmmmmmm

hmmmm....

As coisas simples também costumam ser muito mais gostosas de saborear, além de serem saudáveis, vistosas e bem fáceis de fotografar... E ainda tenho na memória afetiva e gustativa o sabor deste arroz de forno que degustei lá pelas bandas de Salvador na companhia de pessoas das mais generosas, acolhedoras e amáveis que conheço... E precisa, - à mesa, - alguma coisa melhor que isso?!...

PS.: Um dos comentários deste post é do Fabiano e ele me elegeu também, além da Biazinha que já o fizera anteriormente, como blogueiro que sabe comentar. Claro que é uma satisfação ter esse reconhecimento agora duplicado! Então, resta agradecer aos dois pela gentileza do selo a mim conferido. Obrigado amigos!

Quinta-feira, 13 de Março de 2008

cinzas do cautério

aproximei os lábios ao cautério
num beijo longo e demorado
unindo as duas partes interpostas
nada restou de voz - vivo calado

aproximei meus olhos do cautério
em masoquista olhar descontrolado
queimou-se córnea e íris - a menina
só vejo as labaredas do passado

aproximei meu dedos ao cautério
numa carícia longa e demorada
uni os cinco dígitos da mão
fugi das manipulações travado

aproximei o peito ao cautério
pulsando um coração descompassado
frigiu numa fusão arrependida
e derramou seus magmas cansados

aproximei a mente ao cautério
num pensamento louco acabrunhado
fundi idéias, derreti o cerebelo
agora arrasto os chinelos desvairado

me aproximei inteiro do cautério
em chamas, brasas vivas inflamadas
me consumi buscando a redenção
mas só restaram cinzas espalhadas

(ps.: texto readaptado do meu original por aqui publicado em 25/05/03)

Terça-feira, 11 de Março de 2008

aquém do além

toda situação tem dois lados - no mínimo
nem sempre, mas às vezes ambos são bons
ou poderiam ser se os olhássemos sem medos
pra todo mundo tudo acaba no fim
mas algumas pessoas nem começam
porque se acabam muito cedo
cultivando dores anônimas
assumindo andores estranhos
carregando os vasos sem as flores
na vida é preciso mais
é preciso crer
buscar a rota perdida
apreciar a música
e o silêncio
saber andar, correr e também a hora de parar
um pit stop não é exclusividade da fórmula 1
quem não se dá um tempo
pode não encontrar-se
e ninguém pode perder de vista
a si mesmo
pois quem não consegue gostar-se
não gosta de mais ninguém
a vida é bela
o sol colore as paisagens
e algo grandioso espera além
a todo o que vive bem
ou faz o seu esforço para tal
diuturnamente
aqui no aquém

Segunda-feira, 10 de Março de 2008

pernoite

na calada
soava rouca a tua voz
e a cada vez
que ecoava meu silêncio
podíamos ouvir
teu riso cristalino
a acender meus olhos de menino
como se estivessem noutro tempo
a noite avançava sem pressa
mas não medíamos as horas
fomos vencidos pelo sono
os sons se foram extinguindo
nossos corpos dormitantes
em suave torpor sob os lençóis
nenhuma idéia ou projeto de amanhã
abandonados à pertença mútua
na leveza insustentável de um momento
perdido numa noite qualquer
amostra expressiva
do terno encontro das vigílias
fiel retrato de uma vida
íntima ao par
depois do sol se por
e até o novo dia despertar

Sexta-feira, 7 de Março de 2008

quatro décadas depois...

estas noites e suas nostalgias
refém de olhares suplicantes
revejo em sonhos velhas madrugadas
me lembra o violão e aquela voz suave

éramos poucos e fiéis
nas noites de sexta rodopiávamos
nas pistas, nas festas e coquetéis
à cata de aventuras inocentes

no máximo alguns excessos etílicos
e no sábado as ressacas matinais
afora isso tudo era tão tranquilo
leve clarão no céu de azul profundo

tantas indefinições então no horizonte
tínhamos cabelos longos, calças jeans
ingênuas crianças de sonhos adultos
ouvíamos raul, beatles e bee-gees

não éramos melhores ou piores
que os garotos dos dias atuais
diferia a moda, a malícia, os interesses
mas em algo éramos iguais
éramos jovens

Quinta-feira, 6 de Março de 2008

infusões

no território das sensações
a volúpia dos enganos
escolta tua pele desnuda
retardando a iminência
da lava em ponto de explosão
até o momento inadiável
de sublime instinto
que antecipo e sinto
nos planos da emoção
em teus braços submerso
perco a clareza no verso
e me inundo de paixão
num mergulho denso
esmoreço
e minha identidade difusa
se desvanece na tua
jazem gotas singulares
no plural
dessa fusão

Quarta-feira, 5 de Março de 2008

reconfigurações

o coração
terra tão perto
planeta deserto
gira e translaciona
quem sou
face inexpressiva
nesse plano
junto meus pedaços
regenerando a figura
entre ansiedade e fissura
procuro o que há de melhor
no imediato e no futuro
que tragam as nuvens
mansas chuvas de outono
irradiando ao peito
luzes em meu sono
em dias de sol
e noites de luar...


PS.: Não tenho muita afinidade com selos, memes e quetais do universo blog - mas não pude resistir ao carinho da minha sobrinha mais recentemente conquistada, a Biazinha e vou publicar o elogioso mimo em forma de selo com que ela me elegeu. Então, lá vai...



Domingo, 2 de Março de 2008

promessa de outono

deslizo no silêncio musicado
a mente é capaz dessa harmonia
bailo completamente estático
e rodopio num salão imaginário
condutor e conduzido
musa e dançarino alado
voamos sem limites
lado a lado
até um ponto do infinito
algum lugar sagrado
aonde o pensamento nos levar...

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

índole amistosa

Uma índole que se incorporou ou que sempre fez parte do meu ser me arrasta a fazer as escolhas vitais. Das menores às mais relevantes. Desde o mais trivial ato de acordar e decidir levantar ou continuar na cama até a decisão de demissão ou permanência no emprego, mudança ou continuar morando na mesma cidade ou entre aceitar desaforos e chutar o balde.
Um centro decisório pessoal tem nessa minha índole - que me faz ser o que sou – o seu critério.
Entre tantos tipos humanos, há pessoas acomodadas, pessoas incomodadas e pessoas inconstantes. Vivo na tensão contínua entre acomodação e o incômodo que isso me faz sentir. Ajo, pois. Mas uma ação lenta, gradual e com vistas ao longo prazo. Inconstante não sou. Definitivamente. E não gosto de gente inconstante que ora está de um jeito ora de outro. Uma vez todo sorrisos e na outra, cara virada. Ora amistoso, ora hostil. Em gente assim nunca creio no sorriso estampado pois antecipo a ameaça velada escondida entre os dentes que tenderão a ranger avante.
Não há segurança em relacionamentos desse naipe. Fujo. O bom mesmo são as pessoas que despertam sempre ora o entusiasmo ora a solidariedade, quer sorriam quer vertam lágrimas. Entusiasmo e solidariedade sempre nos impulsionam para frente e para o alto. E só mesmo em gente acolhedora, positiva e entusiasta vale a pena investir confiança e amizade!

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

monólogo

Passei da casa dos 50... nessa aventura perdi pedaços importantes de mim, mas a vida enxertou novas vidas em minha estória. Nunca estou só - não ao menos completamente. Caminho por caminhos navegados e descortino horizontes novos os quais sempre me vejo a desbravar. É verdade que acordo muitas vezes interrompendo muitos dos melhores sonhos... mas nada que uma boa cochilada não os permita resgatar. Estou aqui e faço parte de um momento raro da humanidade - único para mim e meus contemporâneos. Quiçá me leiam no futuro - que pelo menos eu mesmo o faça. Quem sabe as minhas letras imortalizem uma parte de mim. Aquela parte que ousou expressar-se e deixar registradas impressões que o tempo costuma dissipar... De todo modo, é preciso viver. E se é bela a vida, bom é exprimir os momentos marcantes: sejam os de maior deleite bem como os de aflições, incertezas e ansiedades - sempre na certeza que a alegria deve prevalecer e suceder a cada um destes momentos de tensão que se experimenta no decorrer de uma existência...
Que a vida possa fluir livremente, em planos feitos ou acasos, - mas que amadureça e frutifique até o seu ocaso!

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

tsunamis

Após um arrastão de sentimentos confusos que por vezes nos invadem corpo, mente e alma, sobra apenas uma clareira no meio de uma densa floresta interior repleta de pigmeus. Estes serezinhos espionam descaradamente a nossa mente confusa e saem contando a todo mundo quem na realidade somos. Na verdade eles não falam - são mudos - mas dirigem holofotes reveladores sobre os nossos pontos mais sombrios. Tá certo que ninguém fala dessas coisas, fingindo que não existem dores escondidas e que homem que é homem não chora... As vezes são necessários muitos anos pra que a coragem nos ajude a retomar certos eventos e só então encará-los de frente. Aí, como se diz, as águas já rolaram e não há muito por fazer a não ser rir de tudo aquilo que, quando aconteceu, tantos males nos causou. O riso é de fato um grande remédio. Uma de suas qualidades é que nos ensina a não levar tudo tão a sério na vida. Claro que não são lições muito fáceis no momento mesmo em que nos estão sendo ministradas - no meio de lágrimas e ranger de dentes. Mas a gente cresce - não necessariamente amadurece, - e inevitavelmente ficamos mais velhos. Aí você se olha no espelho e não consegue acreditar que aquele cara ali na sua frente já passou dos cinquenta. Parece que foi ontem que tudo começou mas, na melhor das hipóteses, mais da metade já ficou para trás. O que me parece estranho é que mesmo depois dos inúmeros pequenos tremores ou dos raros grandes tsunamis da vida - ainda me sinto aquele mesmo rapazinho que já não aparece mais na minha frente quando o procuro no espelho...

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

culpa

A culpa é sorrateira. Estamos no mesmo ringue há cinquenta anos e, embora nunca tenha me levado a nocaute, também nunca me dá tréguas. Às vezes tenho motivos para defrontar-me com ela e outras vezes dá o maior trabalho tentar advinhar o porquê da nossa rinha. Nem sempre há um. Já fiz terapia, fui no centro espírita, consultei o seu vigário... nada! Quando tudo está perfeito, mesmo assim me assedia com seu riso cínico, como a dizer - "pensa que vai ficar assim é?!"... Quando piso na bola de verdade, então, ah como a dita me espezinha! Pensei que na maturidade eu a venceria, mas parece que ela se tornou mais maliciosa e arrogante - ainda mais sutil e poderosa, ao ponto de eu não conseguir derrubá-la como sempre pretendia. Tenho que admitir - é uma companheira de longa data e vai ser parceira de aturar por toda a vida...

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

caçada literária

Veio embarcado em moderno submarino mas não chegou molhado. É um elegante volume de capa alaranjada e o dorso em tons pastéis. Senti o aroma das suas páginas que são tantas quanto a soma dos dias do ano - ao menos na versão publicada pela Editora Nova Fonteira, traduzida por Maria Helena Rouanet. Gosto deste cheiro de livro novo. Apreciei demoradamente o aspecto exterior com suas cores e formato e em seguida sentei-me no sofá da sala, li como sempre faço as duas orelhas e em seguida mergulhei ludicamente naquele soberbo enredo. Li desabalado sem conseguir parar, sorvendo aquele conteúdo denso, triste, alegre, magnânimo - tudo junto - em apenas dois ou tres longos goles. Ao terminar - ainda refém das múltiplas sensações provocadas pela leitura - me deu vontade beijar com reverência aquele objeto precioso. Meu coração poeta ainda bate descompassado. Bendito Khaled Hosseini com este seu maravilhoso O Caçador de Pipas...

Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

conto da esquina

Quando virei aquela esquina no caminho de todo dia jamais podia imaginar quem viria em sentido contrário. Fui pego de supresa e fiquei absolutamente sem reação. Mais de sete anos sem notícias e embora seu semblante permanecesse nítido em minha mente, já não era uma lembrança assim tão frequente e eu até pensava que não exercia mais sobre mim seu antigo fascínio. Ledo engano pois ao vê-la minhas pernas bambearam, a voz sumiu na garganta e o chão pareceu faltar-me sob os pés. Ela nem pareceu notar-me apesar de em nenhum instante desviar de mim o seu olhar ou me evitar. Nos cruzamos sem palavras e cada um continuou o seu caminho. Não me pareceu nenhum pouco perturbada e arrastando aquele garotinho de cabelos encaracolados seguiu sem me dirigir palavra. Quanto a mim, emudecido de espanto e incapaz de articular qualquer grunhido, afundei numa sombria noite de lembranças e agora, quando me supunha inteiramente livre daquela obsessão, vi subitamente me envolverem de novo aquelas teias do passado. Feito um robô meus passos me levavam sem destino. Haverá um novo encontro? De quem seria o menino? Seus vivazes olhos infantis amendoados tinham algo dos meus. Meu Deus, seria possível?! Teria sido este o motivo do súbido desaparecimento e da sonegação sistemática de explicações e notícias? Ela sabia que eu não queria ter filhos tão cedo, mas... Virei o pescoço cento e oitenta graus propenso a correr e persegui-la, mas ela já desaparecera mergulhando novamente no nada de onde surgira, depois de seus passos decididos a terem feito dobrar a nossa esquina...

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

um fado em lembranças

Ao espelho embaçado minha imagem alterada não é verdadeira. Mas eu me conheço e com fantasia elimino as deformidades e o efeito dos anos acumulados. Sobrepõe-se nova imagem recuperada na lembrança residual das décadas passadas. Um jovem se apresenta com olhos vivazes e sonhos de futuro. Me remexo inquieto e volto ao aqui e agora em que o futuro já chegou. Percebo que foram feitos muitos ajustes na longa travessia. O ponto alcançado não é aquele sonhado mas também não é tão frustrante assim pois o caminho sinuoso foi bom e permitiu - ao lado de inúmeros percalços - algumas nuances de aventura. Venturas e sabores neste universo múltipo que carrego nas minhas mais profundas instâncias e reminiscências. Palavras fazem parte da bagagem e foram entalhadas com cuidado no decorrer da jornada contínua que ainda me permite sonhar... Aonde está o porto, pra onde me leva este mar?! É preciso ir além, é preciso navegar!

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

frutos maduros



sorvo um trago gelado
e abraço a imensidão infinita
ao meu redor crianças em burburinho
não me incomoda o alarido
aprecio a bruma e a vastidão do mar
descalço mergulho os pés na areia
um torpor me invade a alma
descanso absorto e calmo
tuas mãos desalinham meus cabelos
não peço quase nada
me bastam tais momentos
e a certeza do teu amor maduro
se estás ao meu lado
nestas tardes quentes
assim indolente
é tudo o que preciso
para viver feliz...

Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

feriado

Começa o Carnaval. Para mim isso não quer dizer absolutamente nada. A sua vantagem relativa é ser um feriado prolongado. Mas o que é mesmo que se celebra? A farra, as orgias, a bebedeira e um monte de gente morrendo estupidamente nas estradas - alguns vítimas de seus próprios excessos, outros vítimas do excesso alheio, o que - convenhamos - é o pior. As estatísticas depõem contra o carnaval. É um tal liberou geral, um vale tudo que permite a extrapolação do que há de mais perverso no ser dito humano. Se eu for pro litoral vai ser preciso muita paciência e estratégia para fugir do trânsito e torcer para que a infraestrutura local suporte a multidão que desce a serra. Costuma faltar água, ter filas quilométricas nas padarias e nos mercados. E, além de tudo, a meteorologia informa que pode chover a partir da segunda. Chuva e praia são como água e óleo, não se misturam... Como diz a garotada, "não rola".
Mas para mim, na hipótese de chuva, até vou conseguir dormir mais sossegado porque a turba molhada faz menos barulho...
Feliz feriado!

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

gosto de isopor

Existem palavras que denunciam o estado de alma de uma pessoa e outras que ocultam. Hoje, último dia deste primeiro mes do ano amanheci na dúvida sobre quais delas usar. Mas não vou abusar da minha seleta "audiência", pelo que despejarei palavras frouxas e sem qualquer compromisso de revelações secretas. Simplesmente deixo fluir meus pensamentos fragmentados num mea culpa e me arrasto nesta escrita compulsiva. Bobagem. Há que vencer a preguiça mental - certamente - mas também um vazio de criatividade instaurada nesse meu universo diminuto em relação ao qual uma parcela aqui exponho sem muito me expor. Ligeiro non sense e sensações de vertigem. Minha cabeça oca rodopia e navego demente por ilhas desertas descobrindo novos oceanos para além dos sete mares. Oitavo mar. A peneira dos meus afetos filtra o lance predileto que não vou contar. Mas tenho sentimentos. Apenas não os sei ainda ou não quero expressar. Até um bicho preguiça deve tê-los e contê-los. Ao rés do chão - gosto desta expressão - caminho cabisbaixo e sem pressa no barro grudento que me engole sorrateiramente dissolvendo e refazendo em um novo molde mais esguio. No mais é apenas um instante de loucura consentida antes que um grito ecoe das entranhas dilaceradas dos andantes que rosnam sorridentes propensos a me devorar. Deixa que eu vá ali me saciar de alguma coisa mais concreta antes que novos delírios roubem o rastro de lucidez residual que acaso ainda haja em mim. Só sei que agora tenho aquela fome inclemente e uma sede insana de bombas de chocolate ou d'algum mel açucarado. E basta!

Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

bons momentos

As melhores coisas da vida são pequenas. Acontecimentos incrustrados na rotina ou na fuga dela. Rostos conhecidos e sorrisos francos, palavras cordiais, gestos de generosidade e de afeto. Cabe um destaque para a amizade sincera dos amigos, entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos. Claro que na juventude sonhamos projetos grandiloquentes para o nosso futuro e quando ele chega percebemos que precisamos revisar alguns porque não poderemos cumpri-los da forma como os concebemos. Na verdade isso não acontece assim de repente, essa constatação é um processo demorado que no início tem sabor amargo. Mas, com o passar do tempo e a chegada daquela maturidade que nos traz a soma dos anos vividos, vamos compreendendo que os nossos melhores momentos são formados dessas pequenas coisas, pequenos sabores, momentos de suave ou intensa alegria. Bons momentos. Eles nos permitem superar a crueza de alguns acontecimentos e o choque de certos eventos inesperados que nos impactam e desestruturam. Não há garantias de felicidade permanente e ela é uma conquista daqueles que aprendem a refazer seus planos e reajustar suas metas em conformidade com suas medidas que vão se revelando no decorrer do tempo bem menores que no início imaginadas. Mas eu ouso dizer que só as pessoas comuns - no melhor sentido da palavra - são capazes de experimentar aquele verdadeiro bem estar no existir que costumamos denominar felicidade. Quem quer demais fica sempre um passo aquém disso e quem não exige muito de si mesmo, dos demais e da própria vida - este sempre alcança o pouco que quer e com isto se alegra e celebra o quão feliz percebe ser em suas pequenas conquistas no dia a dia. Não que não passe por decepções ou frustrações - mas, esperando pouco das circunstâncias e das pessoas - tudo o que eventualmente vier será lucro e proporcionará bem estar. Quanto aos sofrimentos inevitáveis que acontecem com qualquer vivente, esta pessoa tem a serenidade necessária para enfrentar e superá-los sem o desespero dos que esperam demais de si e dos outros... Como ouvi muitas vezes de alguns de meus antepassados - que sabiamente o diziam: o pouco com Deus é muito. E o tudo, sem Deus, é nada!

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

oceano

camuflado em sorrisos
escondo melancolias
e a saudade decantada
prestes a se derramar
me arrasta em silêncio
no dorso da madrugada
reviro sob os lençóis
desperto e incerto
como dois e dois são quatro
e vou pirata solitário
singrar um oceano imaginário
em meio a muitos devaneios
até ouvir a sua voz
num canto tão suave
a me ninar...

Domingo, 20 de Janeiro de 2008

bom dia

Antes de chegar nesse ponto fluiam sem nexo as muitas palavras que não foram ditas nem serão escritas. O pensamento não tomava corpo e muitos fragmentos se insinuavam sem censuras. Mas como artesão das palavras eu ia construindo e destruindo as frases feitas em vista do sentido vazio com que se revestiam. Pensar é uma atividade que precisa ser domada como a um potro selvagem - caso contrário a expressão não ganha vida ou será uma visão distorcida e difícil de tragar. Aos olhos que dançarem e se embebedarem das palavras aqui derramadas sem cuidado cabe um pedido de tolerância para não dizer compaixão. Não há sofrimentos latentes ou impactantes, apenas um vazio ocasional que se procura preencher com letras dissonantes e carentes de qualquer enredo. O medo existe. Um medo atroz de deixar o tempo correr inutilmente. Mas eu não corro atrás e lanço as idéias sem sentido no papel que não é papel... Então eu vou calando os meus ruídos e silenciando os meus sentidos desiguais até que a fome e a sede se acalmem no acalanto dessa noite que mal se inicia. Os braços ficam vazios de aconchego e os cabelos não terão qualquer chamego até o sol raiar e finalmente o sono chegar permitindo o seu vulto adentrar pela porta dos meus sonhos só pra dizer bom dia...

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

mundo jovem

        Não há como deixar de amar a juventude. A vida é um processo que costuma ser longo e demorado e com o passar do tempo vamos aprendendo a rastrear os melhores caminhos, corrigir as metas e ajustar a perspectiva e o foco. E é muito belo assistir serenamente uma performance vital se desenvolvendo ao nosso lado. Bonito como ver um rio que acomoda seu leito às sinuosidades do terreno e com leveza busca os melhores traçados para desaguar no oceano. É inspirador assistir a juventude em seu processo suave de maturidade e também é oportuno aproximar-se oferecendo algum saber e solidariedade em seus momentos mais íngremes.
Tenho muita juventude ao meu redor porque adoro me rodear de gente nova - ainda que alguns sejam anciãos em contínua renovação. O lampejo e o vigor de mocidade que vejo nas pessoas revigora em mim as reservas remanescentes de juventude que assim nunca de todo se esgotam.
E o mundo fica melhor quando rejuvenesce...

Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

tédios

a cada mal um remédio
com a exceção do tédio
cujo conserto é difícil
ele adora tardes quentes
as noites longas sombrias
e os dias de chuva fina
tem também um outro tédio
que nada tem com o clima
mas apenas cai por cima
judiando pra valer...

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

dividendos

Eu estava aqui pensando - (como se fizesse outra coisa...)
Só dá pra garantir o agora porque ontem já passou e amanhã ainda não chegou... Isso é tão óbvio que a gente se esquece e acaba passando a vida inteira refém do passado ou do futuro, esquecendo de viver o único momento possível para as escolhas reais, o hoje. Claro que as experiências acumuladas e a perspectiva de futuro são nossos maiores motivadores e interferem diretamente no presente, mas - insisto - o único momento de fazer acontecer é agora.
É preciso planejar os passos, tão meticulosamente quanto possível, mas também é preciso que os passos planejados para hoje aconteçam. É muito comum que protelemos as coisas que devíamos fazer agora, já, nesse minuto. Às vezes, depois é tarde demais...
Para a minha vida tenho algumas regrinhas especiais que me ajudam no caminho e que menciono a seguir, sem qualquer ordem de prioridade:

1. Viver bem o agora.
2. Nunca jamais em tempo algum gastar mais do que ganho.
3. Antecipar as tarefas difíceis e só depois fazer as mais fáceis.
4. Não me estressar com bobagens.
5. Cumprimentar cordialmente as pessoas, nem que seja sem vontade... Isso pode fazer a diferença entre um bom e um mau dia.
6. Sorrir, que não custa nada...
7. Evitar cara feia que, além de tudo, causa marcas de expressão e envelhece...
8. Repelir o mau humor, um chato que adora se encastelar na mente das pessoas.
9. Ter paciência comigo mesmo que ninguém é de ferro.
10. Me amar e valorizar o que sou e faço e assim nunca poder dizer: ninguém me ama...
11. Chorar de raiva, de mágoa ou se a saudade ou a tristeza tomar conta, mas depois, levantar a cabeça, dar a volta por cima e sorrir de novo... Afinal, não dá pra ser criança o tempo todo!
12. Acreditar na vida, nas pessoas e, principalmente, em Deus e em mim mesmo.
13. Também adoto a regrinha de ouro de não fazer aos outros o que não gostaria que me fizessem.
14. Respeitar cada pessoa e os seus limites, por mais esquisitos que pareçam.
15. Não levar tudo a ferro e fogo e nem levar tudo tão a sério na vida, nem a mim mesmo ou aos demais - uma galhofa de vez em quando faz bem e desopila o fígado. Como já diziam os antigos, rir ainda é o melhor remédio!
16. Chutar o balde uma vez ou outra para que as pessoas não descubram que sou uma lesma...
17. Cultivar as três instâncias do ser: espírito, mente e corpo, integrando-as e valorizando cada uma delas e o conjunto que formam e que costumo chamar de "eu".
18. Ficar completamente à toa quando estiver de saco cheio de trabalhar, estudar ou aturar as pessoas. Mas só quando ficar cansado e de saco cheio mesmo, porque ficar à toa também cansa.
19. Ter um hobby qualquer, uma coisa aparentemente sem sentido para o mundo, mas que me preencha e satisfaça.
20. Nunca fazer o que me desagrada para agradar os outros. Fazer sempre o que é bom, o que é certo ou o que eu estiver a fim, claro, com o cuidado de não prejudicar ninguém...

Além de algumas outras que não me ocorrem agora, estas regrinhas básicas tem me ajudado muito a deixar de ser a pessoa mesquinha, pessimista e negativa que já fui, para me tornar alguém de convívio mais agradável, menos desorganizado e mais afetivamente equilibrado.
E isso não deixa de assinalar que a passagem dos anos também pode trazer alguns dividendos da maturidade!

Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

muitas vezes

cultivo a alegria
nas tardes quentes
prenunciando bom tempo
e insisto em romper
os grilhões da nostalgia
que ainda me ronda
e me envolve quando em vez
mas aqui quem dá as cartas
é um otimismo deliberado
impresso feito tatuagem
no reverso da minha tez
no mais é ter coragem
e perdoar minhas bobagens
de novo de novo de novo
e então seguir viagem
ao amanhã que vai ser hoje
uma vez, de novo e outra vez...

Domingo, 6 de Janeiro de 2008

calendário

a tarde segue abafada de calor
propícia a revelações piegas
falar de abraços mornos
e olhar o céu de nuvens
advinhando desenhos caprichosos
corações partidos, pássaros feridos
ou a rosa rubra recém desabrochada...
janeiro é um tempo meio estranho
cheio de preguiças e tantos planos
chuvas torrenciais e mil relâmpagos
depois do sol incômodo escaldante
nesta soma tediosa dos instantes
que ora passam lentos ora velozes
mas kronos insensível não dá tréguas
para as antigas emoções decantar
deglutindo os surtos de melancolia
do calendário que não pára de girar...